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sexta-feira, 29 de outubro de 2004

PENSAMENTOS INCOMPLETOS em mazurka hendecasylaba (segundo)


… por tudo o que roça a minha existencia
-- Os livros, as flôres, as fôlhas que se abrem
Por entre a selva e as pernas que habito
Delirios de verso, solsticio do affecto

As cousas que falam da propria agonia
Não deixam em paz minha alma nocturna --
Miasmas gentis, primaveras sombrias:
São tão impossiveis que nunca os desejo

Taes paginas sôltas, sem prologo natas,
Dão voltas em tôrno de si, transparentes;
O eixo que as torna congruentes, no entanto,
Fermenta êste céu que ha em mim todo dia…

sexta-feira, 13 de agosto de 2004

PENSAMENTOS INCOMPLETOS em mazurka hendecasylaba (primeiro)

… pois soube que a vida não é passageira —
Lembrando, esquecendo, ficando sozinho:
Armou-se de vida, de morte e de pena
E foi com seu manto p'ra cima do vento.

O vento esbarrava em todas as fôlhas
Seu manto sem côr não guardou sua alma;
Olhou para o chão e, ao se ver pendurado,
Rezou mais um têrço por êste momento.

De têrço em têrço a vida desbota
A morte, contudo, se mostra bonita
O rhythmo ternario banniu sua pena
E trouxe, sem pressa, um pouco de alento…